sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Analogias

Vejo-me como uma parada 24 horas a beira da estrada. Completo para suas necessidades, com refeições diversas, das mais tradicionais as que nunca ouviu falar. Artigos variados e inesperados que vão desde bichos de pelúcia a um kit de furadeira. Uma oficina, borracharia e lógico, combustível. Um lugar que, a princípio, tem tudo o que precisa.

Mas não é necessário pensar muito a respeito para perceber que, de fato, tem tudo o que precisa, mas só para sua parada. Seus artigos lhe trazem um ar de curiosidade, gerando leve euforia misturada com sono, seu tamanho é impressionante aparentando demorar horas para ver tudo o que pode ofertar. Uma sensação agradável, mas tão logo entediante.

Uma parada serve como um porto seguro, aonde você pode descansar, pegar o que precisa e seguir viagem. Dos que chegam, uns estão apenas viajando, outros quem sabe se mudando de um lugar a outro, mas ninguém a tem por destino final. Não é um lugar feito para se viver, nem tão pouco existe para isso. É um lugar no meio do nada, ligado por estradas que levam seus viajantes de um lugar ao outro.

Bem vindos.
Estamos aberto 24 horas.

N. Herlain

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Jolly

A ansiedade lhe transparecia de longe. Era claro em seu rosto, no sorriso impossível de se conter a felicidade. Todos seus colegas percebiam isso e se questionavam qual poderia ser o motivo para tamanha emoção, pois não havia mais nada para oferecer, nem para pegar. Sentia-se o rei do mundo, que nada poderia lhe derrubar.

Pensou que seria perfeito de pudesse parar o tempo e viver aquele momento eternamente.
Qual seria o motivo de tamanha felicidade?
Não sei ao certo, somente ouvi ao fundo afirmar que um dia irá escrever uma carta, que irá botar seus pensamentos no lugar.  

Nei Herlain

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A Thought

A lovely thought perhaps was what he was hoping for in that moment. Things were never crystal clear as his mom told that would be. Life ahead looked exactly the same for everybody else, but not for him. Something important, significant, had happened. What it was he couldn’t tell.

Every day stood the same, the old routine as clock sharp. The same old friends. But there was something strangely new, a kind of crazy urge to lose all grips in his safe life, to take with him some clothes, the little cash that he still had and take the first bus out of that city, of that life. To just go, don’t looking back, without afraid of never coming back, of losing his anchor, to go wherever that sea of uncertainty would take him. 

domingo, 26 de setembro de 2010

...

em sua morte fatífica se tem o tom. Em sua ausência, alcoolicamente extravasada, se complexa a realidade de que sinto sua falta. Fazem dois meses que a fatalidade me bateu a porta.

N. Herlain

terça-feira, 21 de setembro de 2010

4 am

Ver o cursor piscar me tira a inspiração. A fluência de meus pensamentos enquanto deitado na cama, no quarto escuro, com olhos abertos, não se faz acompanhar pela velocidade de meus dedos.

Existe um cansaço acompanhado do sono, mas a mente impiedosamente não se deixa relaxar. Pensamentos dos mais diversos, de vontades tolas, lembranças de pequenas coisas que ocorreram durante o dia, ideias gerais em relação à vida, de onde estou, do que faço e sou capaz. Do que gostaria, mas não posso. To que tive e sinto falta, muita falta. Do que abstraio, fujo, nunca me dando chances para pensar a respeito. Se alienando completamente em horas e horas de filmagens, linhas e linhas de texto. Em conversas entretidas. Em copos espumantes.

No silencio do quarto meus pensamentos parecem falar. Um mar de vozes entre sussurros e berros, entre palavras pronunciadas com tom de veludo, de ternura e com um sorriso. Em forte contraste a esporádicos gritos em agonia.

Não gosto de desabafos. De expor quais são exatamente esses pensamentos. Às vezes sinto que são insignificantes em relação ao grande contexto. A ideia em si, de reclamar de algo, me repulsa, mas aqui estou. Sentir e pensar algo que não acrescenta é desaconselhável.  Logo, daria valor a algo que posso simplesmente abstrair a respeito. O mundo é o que faço dele.


N. Herlain

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Sinal

A meia quadra de distancia viu o sinal fechando. O personagem possuía uma personalidade meticulosa, daquelas que gosta de ter praticidade em suas ações, de ver bem utilizado o seu tempo, como por exemplo, atravessar um cruzamento sem ter que esperar o sinal abrir.

Apressou o passo. Longos e rápidos caminhava em direção a um destino qualquer. Destino que sabia qual era, mas que não é relevante a estória.  Em seus pensamentos havia as lembranças dos trabalhos que precisava fazer, da leve fome que sentia já há alguns minutos e outros problemas que havia em casa. Mas nesses milhares de pensamentos por menores, a lembrança do ocorrido há algumas horas atrás lhe emergia ao topo.

Mais cedo, já atrasado para seu destino, havia embarcado em um ônibus relativamente vazio. Em uma parada, em meio às pessoas que embarcaram, percebeu de canto de olho uma figura que lhe chamou a atenção. Acreditava que poderia ter uns 20 anos. Um corpo mediano. Seu rosto era levemente pálido, arredondado, uma expressão das mais antipáticas possíveis. Seus olhos eram azuis e lhe fitavam. Seu batimento acelerou, mas estranhamente não desviou o olhar. Talvez porque gostasse de um flerte esporádico. Não havia como sabe exatamente o porquê, tudo ocorreu em uma fração de segundos e ficou daquele jeito por vários minutos. A expressão de ambos permaneceu estática, salvo a leve coração momentânea. Quem era ela? Qual seria seu nome? Deveria ou não ir até ela? A única certeza era que havia uma grande tensão crescendo no ambiente. Decidiu não complexar a situação, apenas aproveitá-la. Confrontar os acasos da vida nunca lhe foi sábio. A possível mágica que existia naqueles momentos sempre se despedaçava quando confrontada.

Em seu ponto desceu do ônibus. Não se arrependera de sua decisão, mas não conseguia evitar remoer o ocorrido em seus pensamentos.

Ao chegar à esquina o sinal havia fechado.


Nei Herlain

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A meu mundo

Hoje vi seu rosto novamente na face de outra pessoa. Não há segredo em afirmar que causou um gigantesco mal estar. Gostaria de me iludir perguntando como é possível, depois de tanto tempo, ainda me incomodar com sua existência longe de minha pessoa?

Não sou egocêntrico ao ponto de preferir a sua não existência longe de mim. Mas diariamente continuo a me surpreender com essas surpresas que minha mente prega. Bem sei que meus sentimentos possuem um grande papel em todo esse tormento quase cotidiano, mas nunca procuro saber o exato porque, pois se tratando de sentimentos, procuro deixá-los bem enterrados em meu peito.

Há alguns dias afirmei a alguém que sou uma caixa de pandora e meu próprio guardião.  Não há o que se estranhar. Afirmar que você deixou de amar alguém que amou mais que a si mesmo, mais que tudo nessa vida, seria uma mentira. Mas é preciso seguir em frente, você tem que seguir em frente.

Existe uma pressão dentro de meu peito e não há uma válvula capaz de aliviá-la sem causar estragos. Uma vez aberta, meu ego colapsaria.

Nei Herlain